Liderança, Vida Cristã

Balaão e a Igreja de Hoje (CUIDADO)

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Quando os filhos de Israel saíram do Egito e partiram em direção a terra prometida, Balaque, rei de Moabe, chamou Balaão, o profeta, e o pediu para amaldiçoar a Israel. Mas, toda vez que Balaão tentava amaldiçoar o podo escolhido pelo Senhor o efeito era oposto.

“Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoou?” (Nm 23.8)

Balaão é mencionado por três escritores do Novo Testamento: Pedro (2 Pe 2.15,16), Judas (Jd 11) e João (Ap 2.14). O que esse falso profeta e a igreja de hoje tem em comum?

O “caminho de Balaão” (2 Pe 2.15,16)

O segundo capítulo de 2 Pedro concentrasse no perigo de falsos mestres infiltrarem-se na igreja e levarem o povo a se desviar. Pedro promete que Deus julgará esses enganadores (v. 3), mas também adverte os cristãos de que devem usar de discernimento espiritual, a fim de não cair nas armadilhas de falsas doutrinas.

Esses falsos mestres eram como Balaão, no sentido de que sabiam o caminho certo, mas desviaram-se dele, eram gananciosos e conduziam o povo à imoralidade (v. 14). Na verdade, ao ler esses capítulos, vemos uma apresentação das características de Balaão.

O “caminho de Balaão” é o estilo de vida dele como adivinho e falso profeta. Sua motivação era ganhar dinheiro e, em vez de usar suas oportunidades para servir a Deus e a seu povo, aproveitou-se delas para satisfazer sua ganância.

Em outras palavras, era um mercenário que se vendia para quem pagasse mais. Usava a “religião” como uma forma de ganhar dinheiro e de satisfazer seus desejos pecaminosos. Também usava a “religião” para seduzir as pessoas ao pecado.

Hoje quantos usam o nome de Deus ou a igreja para ganhar dinheiro. Quantos falsos profetas existem no meio do povo de Deus. Quantos como Balaão querem apenas o dinheiro, cobram quantias exorbitantes para cantar ou pregar na igreja. Esses são “mercenários da fé”, “ratos de púlpitos”.

Muitos estão no “Caminho de Balaão”, muitos estão saindo do caminho certo e entrando pelo caminho errado. Muitos começaram bem, mas estão terminado mal (Dn 12.13; Ec 7.8).

Deus usou um “animal de carga” para repreender Balaão e para tentar conduzi-lo de volta ao caminho certo, mas em momento algum o coração de Balaão mudou. Quantos sinais o Senhor ainda usará para chamar sua atenção e mostrar que você está fora do caminho?

Nem a visão do Anjo do Senhor o assustou, nem levou o adivinho a entregar sua vida e a crer. Balaque havia lhe prometido grandes riquezas, e Balaão iria consegui-las de um jeito ou de outro.

Hoje o que estamos vendo é o profissionalismo espiritual. Vemos obreiros mercenários abraçando o ministério e o mundo. Eles querem ganhar o prêmio oferecido pelo rei Balaque e ao mesmo tempo agradar a Deus. Não é possível servir a dois senhores, temos que escolhe quem iremos servir e de qual lado estamos (Mt 6.24; 1 Tm 6.10).

Quando estamos andando “no caminho de Balaão”? Quando nos rebelamos deliberadamente contra a vontade revelada de Deus e tentamos mudá-la. Quando temos motivações egoístas e perguntamos: “O que vou ganhar com isso?” Quando levamos outras pessoas a pecar para que levemos alguma vantagem.

É possível que Paulo estivesse pensando em Balaão quando escreveu 1 Timóteo 6.9,10, palavras que precisam ser levadas a sério em nosso tempo. A “religião” é um “grande negócio” hoje em dia, e é fácil pregadores, músicos, executivos, escritores e outros profissionais dedicados à obra cristã acabarem se preocupando mais com o dinheiro e com a reputação do que com valores espirituais e com o caráter cristão.

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O “erro de Balaão” (Jd 11)

Assim como Pedro, Judas escreveu para advertir a Igreja sobre falsos mestres (vv. 3, 4). Na verdade, a carta de Judas é uma repetição daquilo que Pedro escreveu em 2 Pedro 2, de modo que o Senhor nos deu uma advertência dupla.

Isso nos mostra quão sério é o perigo e quão grande é nossa responsabilidade de identificar e de derrotar esses falsos mestres insidiosos.

Infelizmente, muitas pessoas que se dizem cristãs não se preocupam com a doutrina bíblica e tornam-se vítimas fáceis de influências heréticas.

É fato comprovado que a maior parte dos membros de seitas são ex-membros de igrejas. Os sectários não procuram ganhar almas perdidas, pois não têm qualquer mensagem de salvação para elas. Em vez disso, atraem recém-convertidos e os escravizam com suas falsidades (vv. 18, 19).

O erro de Balaão não foi apenas pensar que podia desobedecer a Deus e escapar incólume, mas também achar que aqueles a quem ele seduziu a pecar também sairiam ilesos.

Os falsos profetas do tempo de Pedro e de judas iam à caça de pessoas ignorantes e tentavam conduzi-las ao pecado (vv. 10, 13, 18; Jd 4, 8, 18, 19), sempre encobrindo tudo com um manto de “religiosidade”.

Sem dúvida a “ganância” era a motivação por trás de tudo o que faziam (Jd 11), sendo que isso podia significar várias coisas: dinheiro, poder sobre as pessoas, popularidade e prazeres sensuais. Judas Iscariotes usou o ministério para benefício próprio (Jo 12:6), mas acabou cometendo suicídio.

“A doutrina de Balaão” (Ap 2.14)

Trata da doutrina que Balaão seguiu quando seduziu Israel a participar de uma festa idólatra em Baal-Peor e cometer atos imorais com os midianitas (Nm 25).

“Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses. Porquanto Israel se juntou a Baal-Peor, a ira do Senhor acendeu-se contra ele”
Números 25.1-3

A doutrina de Balaão é a mistura da igreja com o mundo. Foi isso que Balaão fez com Israel. Ele ensinou a Balaque, a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para contaminá-los.

O mundo expressaria tal doutrina como: “Que mal tem, não tem problema. Não seja um separatista pretensioso. Seja uma pessoa sociável e agradável. Afinal, vivemos numa sociedade pluralista, então aprenda a respeitar o modo de vida e as crenças dos outros”. Mas do ponto de vista Deus, o que Israel fez foi uma transigência e uma transgressão de sua aliança no Sinai.

O problema em Pérgamo era que falsos mestres haviam se infiltrado na igreja e estavam atraindo pessoas para festas em templos idólatras (Ap 2.14). Em Baal-Peor, o pecado do povo havia sido uma combinação de idolatria e de imoralidade, mas não era assim que os falsos mestres apresentavam sua doutrina. Ensinavam que a graça de Deus dava a seu povo a liberdade de pecar, mas Judas chamou isso de “[transformar] em libertinagem a graça de nosso Deus” (Jd 4; e veja Rm 6:1 ss).

Os israelitas eram o povo escolhido de Deus, separados das outras nações para servir e para glorificar ao Senhor. Não deviam adorar os ídolos dos povos vizinhos nem tomar parte em suas festividades. Quando entrassem na terra prometida, deviam destruir todos os altares e templos e dar cabo de todos os ídolos (Dt 7; Js 23) para que Israel não fosse tentado a deixar o verdadeiro Deus vivo e a começar a imitar seus vizinhos pagãos.

A doutrina de Balaão é a mentira de que é permitido aos salvos viver como não salvos, que a graça de Deus dá o direito de desobedecer à lei divina. Ao longo de todo o Antigo Testamento, a transigência de Israel com a idolatria é chamada de “adultério” e de “ser infiel”, pois a nação “casou-se” com o Senhor no Sinai (ver Jr 2.19, 20; 3.1-11; Ez 16; 23; e Os 1 – 2).

Essa mesma imagem de “casamento” é usada para falar da relação de Cristo com a Igreja no Novo Testamento (2 Co 11.1-4; Ef 5.22-33; Tg 4.4; Ap 19.6-9). A condescendência do cristão com o pecado é como o marido ou a esposa que comete adultério.

Qualquer ensinamento que facilite ou que permita o pecado é uma falsa doutrina, pois a Palavra de Deus nos foi dada a fim de nos capacitar para uma vida de santidade (1 Tm 6.3, 4; Tt 1.1). Paulo enfatiza a necessidade de a igreja ter uma “sã doutrina”, ou seja, uma “doutrina saudável” (1 Tm 1.10; 2 Tm 4.3; Tt 1.9; 2.1), sendo que o apóstolo compara a falsa doutrina a um câncer (2 Tm 2.17).

Séculos atrás, quando Israel matou Balaão, não conseguiu matar as mentiras que continuaram a influenciar os israelitas depois que conquistaram Canaã (Js 22:15-18). Essas mentiras ainda exercem influência sobre indivíduos e igrejas hoje em dia, e o câncer da condescendência enfraquece nosso testemunho e consome nossa energia espiritual (2 Co 6.14 – 7.1).

Devemos dar ouvidos à admoestação de F. W. Robertson: “Irmãos, tenham cuidado. Vejam como um homem pode proferir palavras agradáveis, verdades ortodoxas e, no entanto, ter um coração corrompido”.

CUIDADO: O que em Pedro era caminho, em Judas passou a ser erro, e em Apocalipse tornou-se doutrina. Devemos observar as sutilezas do progresso do mal contra o povo de Deus.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23)

Pr. Lucas Fernandes

Fonte:
Comentario Bíblico Expositivo – Vol 01, Warren W. Wiersbe, Central Gospel.
O Antigo Testamento Interpretado – Vol 01, R. N. Champlin, Hagnos.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia – R. N. Champlin, Hagnos.
Dicionário Wycliffe, Vários autores, CPAD.
Bíblia Thompson, Ed. Vida

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