Teologia, Vida Cristã

O Que é Santidade? O Verdadeiro Significado

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O que é santidade? O que você pensa quando escuta essa palavra?

No decorrer dos anos entendi que o mundo olha para a igreja esperando nela ver um diferencial, um estilo de vida que contraste com o estilo de vida da sociedade.

No entanto, no decorrer dos anos a igreja incorporou em seu seio os valores mundanos, a filosofia do mundo, seus modismos, deixando-se levar a moda do sistema (Rm 12.2).

O mundo ainda espera ver na igreja o diferencial entre aquilo que frustradamente vive e o que espera encontrar na igreja – e quase não o encontra! Precisamos voltar a verdadeiro evangelho, precisamos resgatar e preservar as virtudes do Reino!

Além de aprender o que é santidade e seu significado, você vai aprender mais sobre:

DEFINIÇÃO – O que é Santidade?

Em primeiro lugar, consideraremos a palavra santidade em si. Santidade é um substantivo que pertence ao adjetivo santo e ao verbo santificar, que basicamente significa tornar santo.

Santo, tanto no hebraico, como no grego, significa separado, consagrado e recriado para Deus.

Santidade significa: separação total a Deus, dedicação total a Deus, vem de sagrado, consagrado. Sem um coração santo não se pode viver em santidade.

O que é santidade

Se alguém lhe perguntasse o que é santidade você já saberia responder?

Quando aplicada às pessoas, como os “santos de Deus” ou “santos”, a palavra implica em devoção e assimilação: devoção, no sentido de viver uma vida de serviço para Deus; assimilação, no sentido de imitar, conformar-se a e torna-se como Deus a quem serve.

Como cristãos, a implicação é que precisamos assumir a lei moral de Deus como a nossa regra e o Filho encarnado de Deus como o nosso modelo. É aqui que nossa análise de santidade deve começar.

Já estamos na terceira parte desta série (Deus é Santo – como posso me aproximar dele?), e ainda não definimos o que significa ser santo.

Há tanto contido na palavra santidade, e tal palavra é tão estranha para nós, que a tarefa parece de definir parece praticamente impossível.

Em um sentido, a Bíblia usa a palavra santo de forma intimamente relacionada com a bondade de Deus. Costuma-se definir o vocábulo santo como “pureza, livre de qualquer mancha, totalmente perfeito e imaculado em todos os aspectos”.

Pureza é a primeira coisa que a maioria pensa quando ouve a palavra santo. Certamente a Bíblia usa a palavra desta forma.

Mas a ideia de pureza ou perfeição moral é, na melhor das hipóteses, um sentido secundário do termo na Bíblia. Quando os serafins cantaram sua canção, eles estavam dizendo muito mais sobre Deus do que “puro, puro, puro”.

O que vimos até aqui é a definição bíblica para o que é santidade. Mas nosso estudo não para por aqui, então, vamos continuar…

SANTO SIGNIFICA SEPARADO

O que é santidade? O significado primário de santo é “separado”. Vem de uma palavra ancestral que significa “cortar” ou “separar”.

A tradução desse sentido básico em linguagem contemporânea seria “em outro patamar” ou “outro nível”. Talvez a expressão “em um patamar superior” seria ainda mais exata.

A santidade de Deus é mais do que ser simplesmente separado. Sua santidade é também transcendental. O termo transcender significa literalmente “estar ou ir além de”. Transcender é elevar-se acima de algo, ir além e ultrapassar certo limite.

Quando falamos da transcendência de Deus, falamos sobre o senso de que Deus está acima e além de nós. A expressão transcendência descreve sua grandeza suprema e absoluta. Ela é usada para descrever o relacionamento de Deus com o mundo.

Ele é mais elevado que o mundo. Possui poder absoluto sobre o mundo. O mundo não possui nenhum poder sobre ele. Transcendência descreve Deus em sua majestade consumidora, excelência elevada. Aponta para a distância infinita que o separa de toda criatura.

Quando a Bíblia chama Deus de “Santo”, ela quer dizer primariamente que Deus é transcendentalmente separado. Ele está tão acima e além de nós que nos parece estranho.

SER SANTO É SER DIFERENTE

Ser santo é ser “outro”, é ser diferente de uma maneira especial. O mesmo significado básico é usado quando a palavra santo é aplicada a coisas terrenas, incluindo terra santa, nação santa e pão santo.

Em cada caso, a palavra santo é usada para expressar algo além da qualidade moral ou ética. As coisas santas são coisas separadas das demais.

Somente Deus é santo em si mesmo. Somente Deus pode santificar algo. Somente Deus pode dar o toque que transforma algo comum em algo especial, diferente e separado.

Note como o Antigo Testamento considera coisas que foram santificadas. Tudo o que é santo carrega um caráter peculiar. Foi separado do uso comum. Não pode ser tocado; não pode ser comido; não pode ser utilizado para afazeres comuns.

De onde vem a pureza? Estamos tão acostumados a igualar santidade com pureza ou perfeição ética que sempre procuramos por essa ideia quando aparece a palavra santo. Quando algo é santificado, consagrado, ele é separado para a pureza.

“Pureza é a ausência do pecado; assim como a saúde é a ausência da doença”

Deve ser usado de uma forma pura. Deve refletir tanto a pureza quanto a separação. A pureza não está excluída da ideia de santidade; mas está contida. Mas o ponto que devemos lembrar é que o sentido da palavra santo jamais é exaurido pela ideia de pureza. Inclui pureza, mas é muito mais que isso. É pureza e transcendência. É uma pureza transcendente.

O ATRIBUTO DOS ATRIBUTOS

Encontramos outro problema quando usamos a palavra santo para descrever Deus. Comumente descrevemos Deus compilando uma lista de qualidades ou características, as quais chamamos de atributos.

Dizemos que Deus é espírito, que tudo sabe, que é amoroso, justo, misericordioso, gracioso e assim por diante.

A tendência é adicionar a ideia de santo a essa longa lista de atributos, como sendo mais um dentre muitos. Mas quando a palavra santo é aplicada a Deus, não significa um único atributo. Pelo contrário, Deus é chamado de “santo” em um sentido geral.

Visto que a santidade abarca cada atributo distintivo da deidade, pode ser definida como o esplendor de tudo quanto Deus é.

Assim como os raios do sol, combinando todas as cores do espectro, aparecem na forma de luz quando o sol brilha, semelhantemente, a auto-manifestação de Deus, combinando todos os atributos divinos, se expressa na forma de santidade.

A santidade tem sido chamada o “atributo dos atributos”, aquilo empresta unidade a todos os atributos de Deus.

A palavra é usada como sinônimo de sua deidade. Ou seja, a palavra santo chama a atenção para tudo o que Deus é.

Ela nos lembra que o amor de Deus é um amor santo, sua justiça, uma justiça santa, sua misericórdia, uma misericórdia santa, seu conhecimento, um conhecimento santo.

IDOLATRIA SANTA

O toque de Deus naquilo que é comum transforma-o repentinamente em incomum. Somente Deus pode tonar algo santo.

Quando chamamos de santo algo que não o é, cometemos o pecado da idolatria. Damos a coisas comuns o respeito, admiração, louvor e adoração que pertencem somente a Deus. Adorar a criatura em vez do Criador é a essência da idolatria.

Na Antiguidade, a fabricação de ídolos fazia parte de um negócio lucrativo. Alguns ídolos eram feitos de madeira, outros, de pedra e outros, de metais preciosos.

O fabricante de ídolos ia ao mercado, adquiria os melhores materiais e ia então para sua oficina realizar sua obra. Ele trabalhava longas horas modelando imagens do material adquirido, usando as melhores ferramentas e instrumentos.

Ao terminar, varria o chão de sua oficina e guardava suas ferramentas cuidadosamente no armário. Então, prostrava-se e começava a falar com o ídolo que acabara de esculpir.

Imagine falar com um pedaço inerte de madeira ou pedra. Aquela coisa jamais poderia ouvir o que era dito. Não poderia responder. Nem oferecer qualquer ajuda. Era surdo, mudo, incapaz e impotente. E mesmo assim, as pessoas atribuíam um poder santo a tais objetos e os adoravam.

Alguns idólatras eram um pouco mais sofisticados. Não adoravam uma imagem de pedra ou totens. Eles começaram a adorar o sol ou a lua ou ainda uma ideia abstrata. Mas o sol também é algo que foi criado. Não há nada transcendente e santo a respeito da lua.

Todas essas coisas fazem parte da natureza. Foram todas criadas. Podem ser impressionantes, mas não vão além ou ultrapassam sua condição de criação.

Adorar um ídolo envolve chamar algo de santo quando não o é. Não é um ato genuíno de consagração quando um ser humano tenta consagrar algo que Deus nunca consagrou. É um ato de profanação. É um ato de idolatria.

O que é santidade? Separados do Mundo

TEMOR DA SANTIDADE

O santo nos enche com um tipo de pavor. Usamos expressões como “gelei” ou “fiquei arrepiado” para descrever esse sentimento.

Nossos sentimentos sobre o santo tendem a ser ambíguos. Em um sentido, somos ao mesmo tempo atraídos e repelidos. Algo nos atrai a ele, ao passo que ao mesmo tempo queremos sair correndo.

Parte de nós anela pelo santo, e parte o despreza. Não podemos viver com ele, e não podemos viver sem ele.

Quando nos encontramos com o Absoluto, sabemos imediatamente que não somos absolutos. Quando encontramos o Infinito, tornamo-nos intensamente conscientes de que somos finitos. Quando encontramos o Eterno, sabemos que somos temporais.

Ser relembrados de que somos criaturas não é normalmente algo agradável. As palavras da tentação original de Satanás são difíceis de serem apagadas de nossas mentes. “Sereis como Deus”, ele disse (Gn 3.5).

Nós amaríamos ser capazes de acreditar nessa sinistra mentira de Satanás. Se pudéssemos ser como deuses, seríamos imortais, infalíveis e irresistíveis.

Teríamos uma série de outros poderes que atualmente não temos nem podemos ter.

A morte muitas vezes nos assusta. Quando vemos outra pessoa morrer, somos relembrados que também somos mortais, e que algum dia a morte também nos alcançará.

Há um tipo especial de fobia da qual todos sofremos. Chama-se xenofobia. Xenofobia é o medo (e, algumas vezes, ódio) de estranhos ou estrangeiros ou qualquer coisa que seja estranha ou estrangeira.

Deus é o alvo último de nossa xenofobia. Ele é o supremo estranho. Ele é o supremo estrangeiro. Ele é santo, e nós não.

O que é santidade? Santidade é o clamor do coração de Deus para o seu povo desde a antiguidade até os dias de hoje.

“Sede santos, porque sou santo!” (1Pe 1.16)

Deus deseja uma geração que seja exclusiva para si, separada para si, consagrada para si. E esse anseio do coração de Deus se revela em toda Bíblia. É um cuidado da parte de Deus com os seus escolhidos.

O homem santificado opõe-se a todo pecado; anda nos estatutos do Senhor e guarda os seus juízos e os observa. Um homem com coração puro vê pureza em tudo; o de coração impuro vê impureza em tudo e interpreta com malícia qualquer coisa.

Não basta falar de santidade. Precisa vivê-la. Esse é o testemunho. Não basta dizer que CURTI santidade se você não COMPARTILHA e não PRATICA.

Sem a santidade, ninguém verá o Senhor, isto é, não entrará no Reino de Deus. A santidade não pode ser protelada para se buscar nos momentos de agonia, de sofrimentos, na vida. Devemos busca viver uma vida santa que louve e agrade ao Senhor.

Termino este artigo, com as seguintes pergunta para nossa reflexão: O que é santidade para você?

Pr. Lucas Fernandes

LEIA TAMBÉM:
Deus é Santo – Como posso me aproximar?
O Centro da Santidade
– O Verdadeiro Jejum

Fontes:

  • Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD
  • O Novo Dicionário da Bíblia –  Vida Nova
  • Deus é Santo – R. C. Sproul – Cultura Cristã
  • Teologia Concisa – J. I. Packer
  • Teologia Sistemática – Waynen Grudem
  • Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD
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